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BRASILEIROS ORGANIZAM PANELAÇO GIGANTESCO EM PROTESTO AO PRONUNCIAMENTO DE BOLSONARO


Milhares de brasileiros prometem bater panelas durante o pronunciamento do presidente Jair Bolsonaro, previsto para ser veiculado às 20h30min desta sexta-feira (24/12), em rede nacional de rádio e televisão. A declaração, que já foi gravada, tem 1 minuto e 34 segundos. De acordo com pesquisa realizada pelo Instituto de Pesquisas Cananéia (Ipec), divulgada no dia 14 de dezembro, a rejeição ao governo Bolsonaro atingiu 55%, maior percentual desde o início do seu mandato, em 2019. Ao que tudo indica, o panelaço desta véspera de Natal contra Bolsonaro deve ser gigantesco, podendo ser oi maior já realizado no país.


PANELAÇO NO MUNDO

De acordo com matéria da repórter Thasa Sandoval, colunista colombiana do jornal “The Bogotá”, publicada em 2019, os panelaços surgiram no século XIX na França, com os republicanos que se opunham à monarquia entre 1830 e 1848. Neste período, os franceses começaram a bater panelas e frigideiras em frente dos prédios públicos do governo, para zombar dos funcionários públicos da monarquia de Julho. Ao longo dos anos, o “Cacerolazo” conhecido no Brasil como “Panelaço” tomou as ruas em diversos países pelo mundo.


No Chile, em 1971 um grupo de mulheres do agrupamento chileno denominado “Poder Feminino” bateu panelas e outros utensílios de cozinha em manifestação contra a situação social do governo de Salvador Allende. Em 1980, as manifestações de mesmo cunho eram dirigidas a Augusto Pinochet, questionando a repressão política, torturas e os desaparecimentos dos militantes.


No Uruguai, existem registros de panelaços durante o período de ditadura militar (1982-1984) e, em 2002, um panelaço contra o presidente Jorge Battle. Na Argentina em 2001, a população foi às ruas com suas panelas para pedir a renúncia do presidente La Rua, que tinha declarado estado de sítio. Na Venezuela, os panelaços aconteceram no final dos anos 1980 e início dos anos 1990, quando cidadãos protestavam contra as reformas econômicas do estão presidente Carlos Andrés Péres. Em 1992, um grande contingente de trabalhadores da classe trabalhadora encheu as ruas com sons das panelas.


Mais recentemente, venezuelanos descontentes batiam em panelas e frigideiras de suas casas e de suas janelas, sem se reunirem em massas nas ruas. Esse episódio se tornou decorrente durante todo o governo de Hugo Chaves, que, em 2012, saiu nas ruas dançando ao som das panelas zombando do movimento. Em 2019, os manifestantes também expressaram suas insatisfações contra Nicolás Maduro.


Na Colômbia, com a greve nacional de 2019, os panelaços se tornaram um símbolo de protesto pacífico. Os cidadãos de suas casas ou em concentrações nas ruas se reuniam para expressar sua insatisfação com o governo, rejeitando a violência em favor da vida.


No Quebec, os panelaços dos estudantes estouraram em maio de 2012, em Montreal, após o governo da província criar um projeto denominado Bill 78, com restrições ao direito de protestar. Em 2017, na Catalunha, durante a campanha pela independência, os panelaços em Barcelona, principalmente à noite, eram frequentes.


PANELAÇOS NO BRASIL

No Brasil, o “Panelaço” como um evento político reconhecido pela mídia, teve sua primeira aparição em ambiente domiciliar no ano de 2015, especificadamente no dia 8 de março, durante o pronunciamento da presidenta Dilma Rousseff em rede nacional, onde parabenizava as mulheres pelo dia Internacional da mulher.


No entanto, a partir de 2019, os panelaços parecem ter assumido outra personificação em seu conjunto de atores políticos, tendo em vista que ele foi convocado inclusive por políticos de esquerda, além de serem contra o atual Presidente Jair Bolsonaro, que na época fez um pronunciamento anunciando medidas para tentar conter os incêndios ocorridos na Amazônia.


Em 2020 e 2021, os panelaços no Brasil se tornaram cada vez mais frequentes, como forma de protesto contra o presidente, que contrariou as indicações da Organização Mundial da Saúde e foi responsável pela propagação do vírus e das mais de 600 mil mortes no país.

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