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BOLSONARO ENTRARÁ PARA A HISTÓRIA COMO O QUE DE PIOR EXISTE NA POLÍTICA BRASILEIRA


As pesquisas indicam que Jair Bolsonaro é considerado o pior presidente do Brasil desde a redemocratização. Esta é a opinião de 40% dos entrevistados em um levantamento realizado pelo Instituto de Pesquisas Sociais, Políticas e Econômicas (Ipespe), amplamente divulgado pela imprensa no último dia 6 de abril. Nesta segunda-feira (11/4), um outro estudo, desta vez realizado pelo Inesc, que também é uma instituição científica e tecnológica, concluiu que vários setores foram atingidos pela falta de recursos durante o atual governo, tais como saúde, educação, meio ambiente, moradia, criança e adolescente e combate ao racismo. A pesquisa é referente aos três últimos anos, 2019, 2020 e 2021. O estudo mostra que, em 2021, o pior ano da pandemia de Covid-19, os recursos para enfrentar a doença caíram 79% na comparação com 2020 – ano em que o coronavírus chegou ao país. O relatório também mostra que a saúde perdeu R$ 10 bilhões em termos reais, entre 2019 e 2021.


Para além das pesquisas, o que se observa de Norte a Sul do país é um rastro de destruição. O legado que o presidente Jair Bolsonaro deixará aos brasileiros, após sua trágica passagem pelo Palácio da Alvorada, vai da falta de iniciativas para conter o avanço da pandemia, que já ceifou a vida de mais de 660 mil pessoas, ao desrespeito à democracia. Cabe lembrar que, no dia 7 de setembro de 2021, Bolsonaro incitou seus apoiadores a deflagrarem um golpe. A tentativa acabou sendo uma espécie de comédia tragicômica de quinta categoria.


Bolsonaro reúne em torno de si tudo que há de pior na política brasileira. Mistura incompetência à falta de discernimento e, por vezes, parece não compreender sua função, como chefe de estado. A falta de postura de Bolsonaro faz lembrar aqueles chefes de milícia, desbocado, violento e inconsequente. Em três anos como presidente da República, o Messias fez exatamente a mesma coisa que nos 27 anos que atuou como parlamentar. Ou seja, pouco ou quase nada.


De 1991 a 2018, o capitão acumulou sete mandatos na Câmara dos Deputados. Neste período, apresentou cerca de de 170 projetos de lei, mas apenas dois foram aprovados. Como presidente, não tem sido diferente. A atuação política do atual presidente do Brasil não está associada a projetos de interesse público, obras importantes para o desenvolvimento do país ou quaisquer outros benefícios à população. Bolsonaro é mais lembrado pelo seu histórico de agressões verbais e suas posições preconceituosas. Não é a toa que durante os protestos de rua, os manifestantes ressaltam suas características, que como presidente estão ainda mais visíveis: racista, misógino, homofóbico, fascista, genocida, assassino, entre outros.


Além das sistemáticas declarações de apoio à tortura, uma prática comum nos porões da ditadura militar, Jair Bolsonaro carrega no seu histórico degradante de político a declaração que fez no momento do seu voto pelo impeachment de Dilma Rousseff. "Pela memória do coronel Carlos Alberto Brilhante Ustra, o pavor de Dilma Rousseff, pelo exército de Caxias, pelas Forças Armadas, pelo Brasil acima de tudo e por Deus acima de todos, o meu voto é sim".


Cabe lembrar que durante o regime militar, entre 1970 e 1974, Ustra foi o chefe do DOI-Codi do Exército de São Paulo, órgão de repressão política do governo militar. Ali, sob o comando do coronel, ao menos 50 pessoas foram assassinadas ou desapareceram e outras 500 foram torturadas, segundo a Comissão Nacional da Verdade.


Também faz parte da conduta do capitão, o destempero diante de mulheres opositoras, como o caso da agressão verbal à deputada Maria do Rosário (PT/RS), ocasião em que Bolsonaro afirmou que não estupraria a parlamentar e ex-ministra dos Direitos Humanos porque ela "não merecia". Cabe lembrar que a deputada Maria do Rosário não é exceção e não foi a única. Sobre o assassinato de Marielle Franco e Anderson Gomes, existem inúmeras coincidências e uma proximidade pouco comum entre os suspeitos e o atual presidente da República.


ACIMA DA LEI

O legado de destruição promovido pelo governo Bolsonaro está relacionado também ao desmatamento da Amazônia, ao crescimento dos garimpos, à falta de proteção das áreas de reservas indígenas, entre outras. Chama a atenção os inúmeros e sucessivos casos de corrupção no seu governo e o envolvimento dos seus filhos em situações irregulares ou até mesmo criminosas, como o processo das rachadinhas e as inúmeras tentativas de desviar as investigações e abafar o caso. Ao que tudo indica, as rachadinhas eram prática comum, tanto dos filhos quanto do próprio Jair Bolsonaro. Sobre este assunto, a cada dia a imprensa traz novas peças do quebra-cabeça. Também faz parte do espólio do atual presidente os constantes ataques a jornalistas, sendo o próprio Bolsonaro o campeão em número de agressões cometidas aos profissionais da imprensa.

Porém, nada se compara ao legado que Jair Bolsonaro deixará pela omissão, falta de iniciativas e irresponsabilidade diante da pandemia de coronavírus. Além das declarações estapafúrdias que contrariavam a ciência, não foram pouca as vezes em que o capitão abdicou do uso de máscaras e contrariou as normas de segurança sanitária estabelecidas por reconhecidos órgãos de saúde. Ao invés de proteger os brasileiros, o presidente promoveu aglomerações durante o período mais crítico da pandemia, além de conceder entrevistas incentivando o uso do coquetel em que a Organização Mundial de Saúde (OMS) apontava como ineficiente e, inclusive, prejudicial à saúde. Diante das vacinas, Bolsonaro usou a mesma lógica. Chegou a citar relatórios do Reino Unido que, segundo ele, sugeriram que pessoas totalmente vacinadas contra a Covid-19 começaram a desenvolver a Síndrome de Imunodeficiência Adquirida (Aids).


A MACABRA LINHA DO TEMPO "A linha de tempo mais macabra da história da saúde pública do Brasil emerge da pesquisa das normas produzidas pelo Governo de Jair Messias Bolsonaro relacionadas à pandemia de covid-19. Num esforço conjunto, desde março de 2020, o Centro de Pesquisas e Estudos de Direito Sanitário (CEPEDISA) da Faculdade de Saúde Pública (FSP) da Universidade de São Paulo (USP) e a Conectas Direitos Humanos, uma das mais respeitadas organizações de justiça da América Latina, se dedicam a coletar e esmiuçar as normas federais e estaduais relativas ao novo coronavírus, produzindo um boletim chamado Direitos na Pandemia – Mapeamento e Análise das Normas Jurídicas de Resposta à Covid-19 no Brasil".


“Nossa pesquisa revelou a existência de uma estratégia institucional de propagação do vírus, promovida pelo Governo brasileiro sob a liderança da Presidência da República”. Obtida com exclusividade pelo EL PAÍS, a análise da produção de portarias, medidas provisórias, resoluções, instruções normativas, leis, decisões e decretos do Governo federal, assim como o levantamento das falas públicas do presidente, desenham o mapa que fez do Brasil um dos países mais afetados pela covid-19 e, ao contrário de outras nações do mundo, ainda sem uma campanha de vacinação com cronograma confiável. Não é possível mensurar quantas das mais de 212.000 mortes de brasileiros poderiam ter sido evitadas se, sob a liderança de Bolsonaro, o Governo não tivesse executado um projeto de propagação do vírus. Mas é razoável afirmar que muitas pessoas teriam hoje suas mães, pais, irmãos e filhos vivos caso não houvesse um projeto institucional do Governo brasileiro para a disseminação da covid-19.


A linha do tempo é composta por três eixos apresentados em ordem cronológica, de março de 2020 aos primeiros 16 dias de janeiro de 2021: 1) atos normativos da União, incluindo a edição de normas por autoridades e órgãos federais e vetos presidenciais; 2) atos de obstrução às respostas dos governos estaduais e municipais à pandemia; e 3) propaganda contra a saúde pública, definida como “o discurso político que mobiliza argumentos econômicos, ideológicos e morais, além de notícias falsas e informações técnicas sem comprovação científica, com o propósito de desacreditar as autoridades sanitárias, enfraquecer a adesão popular a recomendações de saúde baseadas em evidências científicas, e promover o ativismo político contra as medidas de saúde pública necessárias para conter o avanço da covid-19”.



DESMONTE E DESTRUIÇÃO De acordo com o estudo realizado pelo Inesc, publicado nesta segunda-feira (11/4) pelo jornal Brasil de Fato, em uma matéria assinada pela jornalista Thayná Schuquel, o ano de 2021 consolidou o processo de “desfinanciamento de políticas públicas” que fez o Brasil retroceder no combate às desigualdades e na preservação dos direitos humanos. O estudo “A Conta do Desmonte – Balanço Geral do Orçamento da União”, que analisou os gastos do governo federal nos três anos da gestão de Jair Bolsonaro, mostram que vários setores foram atingidos pela falta de recursos durante o atual governo.

O estudo mostra que, em 2021, o pior ano da pandemia de Covid-19, os recursos para enfrentar a doença caíram 79% na comparação com 2020 – ano em que o coronavírus chegou ao país. O relatório também mostra que a saúde perdeu R$ 10 bilhões em termos reais entre 2019 e 2021. “O Brasil andou para trás em 2021”, lamenta Nathalie Beghin, coordenadora da Assessoria Política do Inesc. “Ao alimentar uma falsa dicotomia entre vida e economia, mas sem ‘salvar’ nenhuma delas, o mandato de Jair Bolsonaro deixou mais de 660 mil pessoas morrerem de Covid-19 – boa parte dessas mortes evitáveis; jogou milhares na extrema pobreza e no desemprego, e baixou consideravelmente o poder de compra dos trabalhadores ao deixar a inflação descontrolada”, critica.


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