AS NOVIDADES DO GRIFO PARA 2022: PROJETO GRÁFICO, PERIODICIDADE E CONTEÚDO
- Alexandre Costa

- 23 de jan. de 2022
- 3 min de leitura
por Alexandre Costa

A 16ª edição do Grifo traz novidades para os leitores. A primeira delas é o novo projeto gráfico de Caco Bisol, seguido de mudanças na periodicidade e no conteúdo. A partir de 2022, o jornal passa a ter edições quinzenais, o que deixa a publicação mais enxuta.
A redução do número de páginas permite “acompanharmos a vida com mais agilidade”, explica um dos trechos do editorial do jornal, referindo-se à qualidade do conteúdo disponibilizado aos leitores. Mas a grande novidade do jornal dos cartunistas será a presença de Histórias em Quadrinhos. E nesta edição, elas chegam pelo bico da pena de nada mais nada menos que Edgar Vasques, com “Ruge a Crise”. O próprio cartunista explicou aos leitores a iniciativa do Grifo.
“Era só o que faltava: depois das charges, dos cartuns, caricaturas, tiras, textos, ilustrações e entrevistas, chegou a vez dos quadrinhos na Grifo! Mês a mês, vamos mostrando a produção autoral de HQs no nosso quadrante, passada, presente e futura (trabalhos em andamento), tanto dos desenhautores (que ilustram seus próprios roteiros) quanto da usual parceria roteirista/ilustrador. O filtro será sempre a qualidade, e vamos dar o contexto de cada trabalho, além de comentá-lo tecnicamente. Assim, Grifo vai expor aos leitores todo um universo de quadrinhos de grande qualidade e variedade, de autoras e autores de muitas gerações, com temas, técnicas e gêneros de todos os tipos. Alguns já publicam outros trabalhos na Grifo, mas o leitor vai conhecer também agradáveis surpresas...”, escreveu o autor da série Rango, talvez a mais antiga tira dos quadrinhos brasileiros (publicada desde 1970) e das ilustrações do Analista de Bagé, de L.F. Verissimo, entre tantos outros trabalhos realizados ao longos dos 54 anos de trabalho.
Quadrante estreia com a HQ “Ruge a Crise”. Uma história curta (3 páginas) executada em 1991, em plena crise nacional do governo Collor de Mello. O autor reage ao caos do desgoverno reinante metaforizando o país como um imenso oceano cheio de perigos para o barquinho de cada brasileiro. "Mal sabíamos do que vinha pela frente de 2016 em diante...". "Desenhada em preto e branco, em nanquim com bico de pena e cabo de pincel (técnica característica do autor). Atenção ao trabalho de bico de pena, que permite a variação da espessura do traço num mesmo movimento, pela pressão maior ou menor sobre a pena flexível, também recurso usual do autor. Notar ainda o paralelismo entre o grafismo exasperado e o texto mais melancolicamente lírico, duas reações diferentes mas possíveis no contexto", desta o texto do Grifo sobre o trabalho de Vasques.
INSPIRADO NO PASQUIM Lançado em outubro de 2020, o Grifo é uma publicação de humor que reúne colaboradores de todo país, além da Argentina, Cuba, Itália, Irã.. Inspirado no Pasquim e na sua história de resistência à ditadura militar, estes profissionais altamente reconhecidos no mundo das artes gráficas, das charges, ilustrações e do jornalismo utilizam a sátira para contestar governos e políticos com tendências fascistas, obscurantistas e autoritárias. O nome é uma referência ao ser mitológico presente em diversas culturas antigas do oriente e que está associado à justiça, à luz e ao ciclo de morte e renascimento (leia mais no fim de matéria). Foi neste cenário, em plena pandemia de coronavírus, que estes idealistas ligados à GRAFAR (uma associação informal de humoristas gaúchos) retomaram um projeto antigo, iniciado no Brasil dos anos 70.
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