AOS 84 ANOS, SINDJORS REÚNE MEMÓRIA E DESAFIOS DO JORNALISMO EM PROGRAMAÇÃO ESPECIAL
POR ALEXANDRE COSTA | ESQUINADEMOCRATICA.COM.BR

O Sindicato dos Jornalistas Profissionais do Rio Grande do Sul (SindJoRS) completa 84 anos nesta quarta-feira, 23 de setembro, carregando uma história que acompanha diferentes períodos do jornalismo gaúcho e chega ao presente diante de novas transformações na profissão. Para marcar a data, a entidade promove uma programação que reúne debates sobre formação profissional, diversidade, saúde mental, literatura e condições de trabalho.
Mais do que uma comemoração, o aniversário permite recuperar uma trajetória iniciada em 1942. A caminhada que ainda está em curso tem sido marcada não apenas pela organização sindical, mas também por debates sobre o próprio exercício do jornalismo, a autonomia profissional e o papel social da informação.
Nesta quarta-feira (23), data do aniversário, o SindJoRS promove uma live sobre a retomada da exigência do diploma de Jornalismo, tema que voltou à mobilização nacional da categoria.
Participam a presidenta da Federação Nacional dos Jornalistas (FENAJ), Samira de Castro; a presidenta do SindJoRS, Laura Santos Rocha; o delegado sindical e jornalista da Record TV Alander Diaz; o coordenador do curso de Jornalismo da Universidade Franciscana (UFN), Iuri Lammel; o professor da Universidade Federal de Pelotas (UFPel) Cadré Dominguez; e a advogada Anna Luiza Marimon. A mediação será de Laura Santos Rocha.
A atividade ocorre depois do Dia D pelo Diploma, mobilização nacional promovida pela FENAJ em 26 de agosto.
DIVERSIDADE, CULTURA E SAÚDE MENTAL
A programação começou na terça-feira (22), com a live Negras Vivências Jornalísticas, reunindo a jornalista Elaine Barcellos, integrante do Núcleo de Jornalistas Afro-brasileiros do Sindicato, e a escritora, pesquisadora e educadora Angela Xavier.
Na quinta-feira (24), às 19h, será realizada a quarta edição do Clube do Livro – Escritas, Charlas e Causos, com a escritora Susana Vernieri. O encontro acontece no Tutti Giorni Bar, na Escadaria da Borges, em Porto Alegre.
As atividades terminam no dia 29, às 10h, com o encontro virtual “Setembro Amarelo: pedir ajuda é um ato de coragem”. Participam Mônica Cabañas Guimarães, responsável pelo Núcleo de Saúde Mental e Qualidade de Vida do SindJoRS; a psicóloga Eliana Sardi Bortolon; e Norian Segatto, secretário-adjunto de Segurança e Saúde da FENAJ e coordenador da pesquisa nacional Condições de trabalho e saúde mental dos jornalistas no Brasil.
84 ANOS E AS NOVAS GERAÇÕES
Para a presidenta do SindJoRS, Laura Santos Rocha, a longevidade da entidade aumenta sua responsabilidade diante das mudanças nas relações de trabalho e das dificuldades enfrentadas pela organização sindical.
A aproximação com estudantes e universidades aparece entre as prioridades apontadas pela dirigente. Segundo Laura, o Sindicato vem buscando fortalecer a relação com as faculdades de Comunicação por considerar as novas gerações fundamentais para a continuidade da organização profissional e dos debates sobre o futuro do jornalismo.
QUANDO OS JORNALISTAS DECIDIRAM CONTAR OUTRA VERSÃO
Um dos episódios emblemáticos dessa história ocorreu em agosto de 1990, após o violento confronto entre trabalhadores rurais sem-terra e a Brigada Militar na Praça da Matriz, em Porto Alegre, que terminou com dezenas de feridos e a morte do soldado Valdeci de Abreu Lopes.
A cobertura daquele episódio provocou uma reação dentro da própria categoria. Jornalistas que haviam acompanhado os acontecimentos e estavam insatisfeitos com as versões publicadas pelos grandes veículos reuniram-se no Sindicato e produziram uma edição extraordinária que ficaria conhecida como Versão dos Jornalistas. O objetivo era registrar fatos e relatos que, segundo aqueles profissionais, não haviam encontrado espaço nas coberturas publicadas.
A experiência ultrapassou aquele episódio. O nome Versão dos Jornalistas seria posteriormente incorporado a uma publicação do Sindicato voltada tanto às pautas da categoria quanto à discussão sobre jornalismo e democratização da comunicação. MIRANDO O FUTURO Aos 84 anos, portanto, o SindJoRS chega ao aniversário olhando simultaneamente para sua história e para questões que permanecem abertas. Da experiência do Versão dos Jornalistas às discussões contemporâneas sobre diploma, diversidade, saúde mental e condições de trabalho, mudaram as tecnologias, as empresas e as formas de produzir e distribuir informação. Permanece, entretanto, uma questão essencial para a profissão: em que condições os jornalistas podem exercer seu trabalho com autonomia, responsabilidade e compromisso com o interesse público? 📲 CURTA, COMPARTILHE E CONTRIBUA
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