ALÉM DA PANDEMIA, DA FALTA DE VACINAS E DO CAOS NA SAÚDE, BRASIL SOFRE COM O DESEMPREGO E A INFLAÇÃO
- Alexandre Costa

- 7 de mar. de 2021
- 5 min de leitura
por Alexandre Costa (*)

O Brasil vive um dos piores momentos da sua história. Durante toda semana passada, o país registrou recordes seguidos de mortes por covid-19. Nos últimos 45 dias, em média, a cada 24 horas mais de mil pessoas perderam a vida para o coronavírus. No sábado (6/3), o Brasil contabilizou 1.498 mortes e atingiu a marca total de 264.446 óbitos. A cada dia a situação dos brasileiros se torna ainda mais dramática em função do colapso do sistema de saúde, da falta de vacinas e da inoperância do governo do presidente Jair Bolsonaro. O cenário que já é desolador piora ainda mais quando observarmos o crescimento do desemprego e o aumento da inflação.
O caos que vem se estabelecendo no Brasil fez com que o o Ministério Público Federal abrisse um inquérito para apurar o baixo investimento do governo no combate ao coronavírus, que empenhou apenas R$ 2,59 bilhões dos quase R$ 12 bilhões disponibilizados para o enfrentamento do coronavírus. Desde maio de 2020, entidades científicas e de defesa de direitos estão reunindo evidências para responsabilizar as autoridades brasileiras pelas mortes evitáveis da covid-19. Em meio a situação dramática do Brasil, o presidente Jair Bolsonaro voltou a criticar o isolamento e apelou para que governadores repensem "a política do fechar tudo". O presidente também voltou a dizer que os efeitos colaterais do que considera uma forma errada de enfrentar a pandemia, priorizando a saúde ante a economia, podem ser mais danosos do que a própria doença. DESEMPREGO
Um levantamento feito pela Pesquisa Nacional de Amostra de Domicílios Contínua (Pnad Contínua) mostra que no primeiro trimestre de 2020, a taxa de desempregados no Brasil era de 12,2% , com cerca de 12,9 milhões de pessoas fora do mercado de trabalho. Já no terceiro trimestre, o número subiu para 14,1 milhões de desempregados , representado 14,6% da população apta para trabalhar, índice recorde desde o início da série histórica, iniciada em 2012. Segundo o IBGE, em apenas três meses, cerca de 1,6 milhão de vagas foram fechadas no país.
INFLAÇÃO Além do desemprego, a inflação também vem castigando os brasileiros. De acordo com informações do Dieese divulgadas na última sexta-feira (5/3), nos últimos 12 meses (até fevereiro), o preço médio da cesta aumentou 29,74% em Florianópolis, 28,37% em Porto Alegre e 27,88% em Curitiba. No Rio de Janeiro, a alta foi de 24,58% e em São Paulo, de 23,03%. As menores elevações foram em capitais nordestinas: Recife (11,76%), Fortaleza (13,06%) e Natal (14,43%).
MORTES No sábado (6/3), o consórcio de veículos de imprensa divulgou novo levantamento da situação da pandemia de coronavírus no Brasil, a partir de dados das secretarias estaduais de Saúde. A média móvel de mortes no Brasil nos últimos 7 dias chegou a 1.455, a maior desde o começo da pandemia. A variação foi de 40% em comparação à média de 14 dias atrás. Em apenas uma semana, o Brasil superou a marca de 10 mil mortes. Também já são 45 dias seguidos com a média móvel de mortes acima da marca de 1 mil, 9 dias acima de 1,1 mil, e pelo sétimo dia a marca aparece acima de 1,2 mil.
COLAPSO
O colapso do sistema de saúde pode ser observado pelo índice de ocupação dos leitos nos hospitais. De acordo com dados das secretarias estaduais de saúde, 17 estados têm ocupação em hospitais acima de 80%, um nível considerado crítico. Outros oitos estados têm taxas que superam os 90%. No Rio Grande do Sul, a ocupação superou os 100%.
VACINAÇÃO Balanço da vacinação contra Covid-19 deste sábado (6) aponta que 8.135.403 pessoas já receberam a primeira dose de vacina contra a Covid-19, segundo dados divulgados até as 20h. O número representa 3,84% da população brasileira. A segunda dose já foi aplicada em 2.686.585 pessoas (1,27% da população do país) em todos os estados e no Distrito Federal. No total, 10.821.988 doses foram aplicadas em todo o país. A informação é resultado de uma parceria do consórcio de veículos de imprensa. Os dados de vacinação passaram a ser acompanhados a partir de 21 de janeiro.
O Ministério da Saúde diminuiu para 30 milhões a previsão de doses de vacina contra a covid-19 disponíveis em março, representando um corte de 35% em relação à estimativa inicial. Com uma perspectiva inicial de 46 milhões de doses para o mês de março, o governo Bolsonaro já havia diminuído a previsão de vacinas disponíveis para 38 milhões, depois para 37 milhões, chegando à estimativa de 30 milhões no sábado (6/3). De acordo com o balanço da vacinação, divulgado por consórcio de veículos de imprensa no sábado, o número de pessoas vacinadas com a primeira dose no Brasil chegou a 8.135.403, o que representa apenas 3,84% da população do país, sendo que 2.686.585 dessas pessoas já receberam a segunda dose (1,27%).
PERSPECTIVAS NEGATIVAS Com o agravamento da pandemia e a vacinação contra covid-19 operando a passos lentos no país, a perspectiva é de piora nos indicadores de mercado de trabalho a curto prazo. O caos do sistema de saúde fez com que algumas capitais adotassem medidas restritivas, como São Paulo (SP), Rio de Janeiro (RJ), Porto Alegre (RS) e Fortaleza (CE), por exemplo. As medidas restritivas são extremamente importantes, pois são efetivas e representam, na prática, iniciativas decisivas para salvar milhares de vidas no país. No entanto, a restrição da circulação e o fechamento do comércio geram efeitos negativos imediatos na economia, atingindo principalmente o comércio e os serviços.
IMPEACHMENT
O presidente da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB), Felipe Santa Cruz, vai convocar para a próxima terça-feira (9/3) uma sessão extraordinária do conselho da entidade para discutir a gestão do presidente Jair Bolsonaro na pandemia do novo coronavírus. A próxima reunião do colegiado estava prevista para o dia 17, mas o encontro foi antecipado diante dos pedidos da cúpula da OAB. Um eventual pedido de impeachment de Bolsonaro se somaria aos mais de 50 requerimentos entregues à Câmara dos Deputados desde o início do mandato do atual presidente, em janeiro de 2019. O "Fora Bolsonaro" cresce a cada dia e os movimentos sociais, centrais sindicais, partidos de esquerda e organizações populares têm conquistado apoio da sociedade.
MANIFESTO
Entidades científicas e de defesa de direitos estão reunindo evidências para responsabilizar as autoridades brasileiras pelas mortes evitáveis da covid-19. Assinado em maio, por mais de cem organizações, o manifesto faz um alerta para os governantes que estão ignorando medidas e evidências científicas para o controle da pandemia no Brasil, acusados de colocarem em curso um verdadeiro genocídio. “Todos têm o direito de nascer, viver e morrer com dignidade. Vidas perdidas têm responsabilidades atribuíveis”, destaca o alerta. Entre as entidades que encabeçam o manifesto estão o Instituto Brasileiro de Defesa do Consumidor (Idec), a Oxfam Brasil, a Anistia Internacional, o Conselho Federal da Ordem das Advogados do Brasil e o Instituto Ethos – que congrega mais de 500 empresas.
(*) Alexandre Costa é jornalista e responsável pelo blog Esquina Democrática.
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