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A REDENÇÃO NÃO TEM PREÇO


O prefeito de Porto Alegre Sebastião Melo (MDB) merece uma vaia retumbante, por conta da licitação para concessão do Parque Farroupilha, mais conhecido como Parque da Redenção. No mesmo pacote, o governo municipal pretende repassar também, já em 2023, a Orla do Lami, o Parque Marinha do Brasil e os Trechos 2 e 3 da Orla do Guaíba. Conceder à iniciativa privada a administração de um dos locais mais emblemáticos da cidade, por 30 anos, é uma demonstração de desrespeito à história da cidade, do próprio parque e do que ele representa para a população, não apenas da capital gaúcha, mas de todo estado do Rio Grande do Sul.

O Parque Farroupilha foi tombado pela prefeitura em 3 de janeiro de 1997 e as reformas previstas alterariam suas características. Sebastião Melo sabe que o estacionamento subterrâneo junto ao Auditório Araújo Viana oferece riscos, tanto na parte de cima, à vegetação e às árvores, quanto para o lençol freático. O projeto apresentado pelo governo municipal prevê a construção de 577 vagas para automóveis. Chamada de "garajão" pelos opositores, a obra é apontada como garantia da sustentabilidade financeira para o projeto. No entanto, a iniciativa esbarra na própria viabilidade técnica da iniciativa. A secretária municipal de Parcerias, Ana Pellini, gestora do processo, diz que a entrada na Redenção continuará gratuita e o parque permanecerá aberto ao público durante 24h, com mais iluminação e maior segurança. A previsão orçamentária entre investimentos e custos obrigatórios é de cerca de R$ 120 milhões.

Localizado junto ao Centro Histórico de Porto Alegre, o Parque Farroupilha é um local muito frequentado pelos moradores da cidade, seja para praticar esportes, pelas atividades culturais ou simplesmente para tomar sol ou confraternizar com amigos e familiares. A Redenção dispõe de vários monumentos e recantos típicos.


HISTÓRIA

O local onde hoje está o parque antigamente era a chamada Várzea do Portão, uma grande planície de inundação próxima do antigo portão da Vila de Porto Alegre. Em 23 de fevereiro de 1807 a Câmara Municipal solicitou ao então governador da Capitania de São Pedro do Rio Grande do Sul, almirante Paulo Gama (futuro 1.° barão de Bagé), que fizesse a doação da Várzea para ser usada como logradouro público, bem como uma área de concentração para os rebanhos de gado trazidos para abastecimento local. Contudo, sua medição efetiva só seria realizada entre 1820 e 1825. Em 1826 uma tentativa de loteamento foi impedida pelo imperador dom Pedro I, amparado pela cláusula de doação que exigia autorização expressa do imperador para qualquer alienação. Não obstante, mais tarde a Várzea sofreu várias outras tentativas de parcelamento e alteração de seus objetivos primários, que sempre foram obstadas pelo poder público.

ÁREA EM DISPUTA

Durante a Revolução Farroupilha a área ficou do lado de fora das fortificações da cidade, e após o conflito uma inspeção da Câmara verificou diversas irregularidades, como cercas avançando seu território e uma chácara construída em seu centro, obras que receberam ordem de demolição imediata. Nos anos seguintes o próprio governo provincial e outros particulares tentaram fracionar o terreno para dar-lhe outros usos, sempre encontrando oposição da vereança.


COLÉGIO MILITAR Em 1870 a Várzea recebeu sua primeira denominação oficial, passando a se chamar Campo do Bonfim, em vista da construção da Capela do Bonfim em seu limite norte. Houve ainda posteriores ameaças à integridade da área, geralmente frustradas, mas em 1872 o Presidente da Província autorizou a construção de um quartel militar no seu limite sudeste, a origem do atual Colégio Militar de Porto Alegre. Com o progresso da urbanização no entorno passaram a se tornar importantes considerações de ordem sanitária. Ainda sujeito a alagamentos ocasionais, o local também foi usado como área de secagem de couros, ponto de reunião de carretas e de depósito do lixo urbano até meados de 1890, a despeito de pareceres contrários da Junta de Higiene da Província.

CAMPOS DA REDENÇÃO Em 1884 o logradouro teve seu nome alterado para Campos da Redenção, comemorando a precoce abolição da escravatura na cidade. Nesta época o parque já estava rodeado de edificações por todos os lados, e em 1889 o intendente José Montaury teve a ideia de abrir alamedas em seu interior para um melhor ajardinamento, ao mesmo tempo em que tencionava vender áreas excedentes para custear as reformas, o que só veio a se concretizar mais tarde.


COLÉGIO JÚLIO DE CASTILHOS Uma grande parcela do parque foi ajardinada e embelezada por ocasião da grande Exposição Estadual de 1901, que ensejou a construção de um circo de touradas, uma pista de corridas de cavalos e o velódromo da União Velocipédica, estruturas que não sobreviveram por muito tempo. Outra fração fora já cedida em 1900 para a construção da Escola de Engenharia, e em 1911 foram postos a leilão diversos terrenos no lado sul. Um pouco mais tarde uma grande área foi perdida para a construção dos prédios de outras escolas da Universidade Federal do Rio Grande do Sul e do antigo Colégio Júlio de Castilhos, concentrados no lado noroeste.


Em 1914 João Moreira Maciel, arquiteto da Intendência, elaborou um Plano de Melhoramentos e Embelezamento da Capital, prevendo para o parque uma divisão em nove quarteirões. Em 1927 iniciou-se o efetivo ajardinamento dos Campos da Redenção, com a implantação do Jardim Paulo Gama ao norte e a proibição da parada de carretas e rebanhos em 1928.


CENTENÁRIO FARROUPILHA Nos preparativos para a Exposição do Centenário da Farroupilha em 1935 toda a parte sul foi drenada, nivelada e urbanizada, seguindo um projeto do urbanista francês Alfred Agache. Neste ano sua denominação foi alterada para Parque Farroupilha, que se mantém até hoje. Ao mesmo tempo, o parque perdeu nova fração com a construção do Instituto de Educação General Flores da Cunha junto à avenida Osvaldo Aranha.


ESPELHO D'ÁGUA Em 1939 foram construídos o espelho d’água no eixo central e foi dada continuidade ao ajardinamento do parque. Os recantos Jardim Alpino, Jardim Europeu e Jardim Oriental foram implantados em 1941 por Arnaldo Gladosch. Após a grande enchente de 1941 foi criado um recanto que recebeu o antigo chafariz francês de ferro fundido, que estava instalado na Praça Pereira Parobé, e que antes já havia estado na Praça XV de Novembro.


MONUMENTO AO EXPEDICIONÁRIO Em 1953 foi inaugurado o Monumento ao Expedicionário, obra do escultor Antônio Caringi, e em 1964, o novo Auditório Araújo Viana, projeto de Moacir Moojen Marques e Carlos Maximiliano Fayet.Desde então o conjunto não cessou de ser ajardinado e urbanizado, mas os jardins perderam outros fragmentos para dar lugar a postos de gasolina e a um parque de diversões, um minizoo e um complexo desportivo.


TOMBAMENTO O Parque foi tombado em 3 de janeiro de 1997 pela Prefeitura. Dos 69 hectares originais do parque, hoje restam 35,7 ha, possuindo 45 monumentos em seu interior, e diversos ambientes ornamentados com arquiteturas pitorescas, como pergolados, cabanas, pavilhões e caramanchões, alamedas decoradas com bancos e ânforas em pedra, canteiros de plantas ornamentais.

BRIQUE DA REDENÇÃO

A Redenção se tornou o parque mais popular da cidade, oferecendo uma ampla gama de atrativos, serviços e possibilidades de lazer, atraindo pessoas de todos os segmentos sociais e faixas etárias. Não apenas os espaços estão sempre disponíveis, como nele associações e entidades organizam uma infinidade de eventos de variados gêneros, como encontros para meditação, competições esportivas, manifestações políticas, declamação de poesia, contação de histórias, oficinas de foto e vídeo, apresentações de artistas de rua e outros. Aos domingos realiza-se junto à avenida José Bonifácio o Brique da Redenção, com inúmeras bancas que vendem artesanato, livros, alimentos e outros produtos. Metade do Brique é destinada à venda de antiguidades.

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