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A perversidade do Novo Ensino Médio e os resultados do ENEM 2023, por Jade Beatriz (*)

Esta semana foram divulgados os resultados do ENEM 2023, revelando que 60 alunos alcançaram a nota máxima na redação. Contudo, uma análise mais profunda revela uma disparidade alarmante: apenas quatro desses estudantes provêm da rede pública de ensino, apesar de que 40% do total de participantes do exame nacional pertencem a essa mesma rede, mesmo sendo o perfil majoritário no país.


Os números apresentados pelo Exame Nacional do Ensino Médio de 2023 transcendem a mera estatística, evidenciando um abismo persistente entre as instituições educacionais. A disparidade entre escolas públicas e privadas, exposta nos resultados do ENEM, não se resume a diferenças nas pontuações, mas reflete as discrepâncias estruturais e de recursos disponíveis para cada grupo de estudantes. A desigualdade no acesso aos materiais didáticos, infraestrutura adequada e professores qualificados cria um ambiente onde o sucesso educacional muitas vezes se torna uma questão de privilégio.


Além dessas preocupações conhecidas, os resultados do ENEM evidenciam as desvantagens do novo ensino médio. A flexibilidade excessiva no currículo e a falta de estrutura adequada amplificam as disparidades educacionais. A escassez de recursos materiais e a falta de professores qualificados, aliadas à ausência de disciplinas fundamentais, constituem obstáculos significativos. Essa conjuntura prejudica a construção de uma base educacional sólida, contribuindo para a perpetuação de desigualdades e dificultando o acesso dos estudantes de escolas públicas a uma formação de qualidade que os prepare para os desafios acadêmicos e profissionais futuros.


É crucial que, para entendermos essas disparidades, olhemos para além das pontuações do ENEM e nos concentremos nas raízes do problema. A falta de acesso a uma educação de qualidade perpetua ciclos de desigualdade social, comprometendo o desenvolvimento integral dos jovens e minando o potencial de construir uma sociedade mais justa e equitativa.


A UBES reafirma seu compromisso em ser uma voz para todos os estudantes e em advogar por mudanças substanciais em nosso sistema educacional. Exigimos investimentos significativos em escolas públicas, a valorização dos profissionais da educação, a revogação do atual modelo do Novo Ensino Médio e aprovação de um novo Projeto de Lei, que garanta uma formação robusta e acessível.


Só assim poderemos criar um ambiente educacional que promova a igualdade de oportunidades e capacite cada estudante a atingir seu pleno potencial, independentemente de sua origem socioeconômica. (*) Jade Beatriz é filha da Escola Pública, cearense sangue quente, representante de 44 milhões de estudantes secundaristas e presidenta da UBES.

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