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A Pedagogia da Esperança e o desafio de vencer as eleições à Prefeitura de Porto Alegre

por Alexandre Costa (*)

A partir das definições dos nomes de Maria do Rosário (PT) e de Luciana Genro (PSOL), com vistas à composição de uma frente de esquerda capaz de disputar e vencer as eleições à Prefeitura de Porto Alegre, as discussões sobre o tema estão cada vez mais intensas e abrangentes. No entanto, lideranças de peso do PT, como o ex-governador Tarso Genro e o deputado estadual Miguel Rossetto, manifestaram preocupação em relação à forma com que o processo está sendo conduzido.


O alerta é de que a definição dos nomes, sem discutir um programa de governo comum a todos, tende a reduzir as possibilidades de alianças, tornando praticamente inviável a vitória em Porto Alegre. O otimismo da esquerda e o sonho de voltar a governar a cidadede, depois de mais de 20 anos, se deve aos resultados das urnas na capital gaúcha nas últimas eleições presidenciais e para governador.


Lula perdeu para Jair Bolsonaro (PL) na soma geral dos votos, no Rio Grande do Sul. Porém, venceu em Porto Alegre, onde alcançou 53,5% do eleitorado contra 46,5% do seu adversário. O petista venceu em sete zonas eleitorais e perdeu em outras três regiões. No primeiro turno, o placar foi oito a dois.  O mesmo raciocínio vale em relação à surpreendente votação de Edegar Pretto, que ficou em terceiro lugar nas eleições a governador. Mesmo vencendo, em seis das dez zonas eleitorais da capital gaúcha, Edegar obteve 32,26% dos votos, perdendo por pouco mais de meio por cento para Eduardo Leite, que teve 32,85% do total de votos das urnas de Porto Alegre.


Também faz parte das polêmicas e dos debates, a possível candidatura de Manuela D'Ávilla (PCdoB), reeditando a disputa com o atual prefeito Sebastião Melo (MDB). Talvez seja o nome com mais condições de vencer as eleições, em função da trajetória política, representatividade e pelo trânsito que tem no conjunto da sociedade. Manuela mantém e conserva o patrimônio eleitoral que acumulou na sua vida parlamentar e que se consolidou quando foi candidata a vice de Haddad, na derrota para Jair Bolsonaro.


No final de outubro deste ano, Manuela fez uma postagem nas redes sociais defendendo prévias com participação popular. “Precisamos ouvir os recados das urnas para construir uma alternativa competitiva para cidade. Essa candidatura deve, na minha opinião, ser a expressão da nossa unidade e de nosso esforço para a amplitude política”, escreveu na época.


Se por um lado, é preciso respeitar o processo de escolha de candidatos, como parte da democracia interna e das decisões das instâncias partidárias; por outro, é preciso observar o que ocorre para além das siglas e das federações.


Diante destas e de uma série de outras questões, cresce a preocupação em torno do cronograma, da forma como as decisões estão sendo tomadas e se a condução do processo não poderia inviabilizar a construção de uma frente ampla ou de torná-la restrita? Esse é um questionamento difícil responder, tendo em vista os diversos aspectos que compõem o atual cenário eleitoral.


O momento sugere um pouco mais de prudência e parece sensato o argumento de que a escolha dos nomes dos pré-candidatos possa prejudicar a costura de alianças e também a própria discussão em torno de um programa de governo, que deve ser construído de forma coletiva, o que ajudaria a consolidar a unidade política da futura candidatura. Além disso, é natural que sejam aprofundadas as discussões sobre o formato para escolha dos candidatos, seja por meio de prévias ou através de outros mecanismos e critérios, que tenham como base informações estratégicas como densidade eleitoral, percentual de rejeição, entre outros.


Existem setores da esquerda contrários às prévias, pois têm o entendimento de que este é um tema restrito aos partidos. No entanto, também há quem defenda a adesão desta fração enorme de eleitores não subordinada à lógica dos partidos como uma forma de ampliar e qualificar o processo, tonando-o ainda mais democrático. Por isso, consideram imprescindível "ouvir" esse contingente formado por simpatizantes, ativistas, lideranças ligadas aos movimentos sociais e militantes independentes, sem ligação orgânica com correntes ou mandatos.


Antes de tudo, parece necessário aprofundar, de forma coletiva, a reflexão sobre o imenso desafio que está à nossa frente. A vitória nas urnas em 2024 começa com o primeiro passo. Lembrei de uma frase de Paulo Freire que pode contribuir com o debate: "Ninguém caminha sem aprender a caminhar, sem aprender a fazer o caminho caminhando, refazendo e retocando o sonho pelo qual se pôs a caminhar".


(*) Alexandre Costa é jornalista, responsável pelo www.esquinademocrática.com.br, vice-diretor do Departamento de Direitos Sociais e Imprensa Livre da Associação Riograndense de Imprensa (ARI).

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